Estrangeira

Imagem

Sinto saudades de ser eu
de reencontrar minha nova forma
há tempos ando pensando nisso
não mais me identifico comigo
preciso reencontrar minha expressão pessoal
sinto que ela sempre se vai de mim
eu a perco, logo depois que a encontro
os minutos que tenho com ela são poucos
tão marcantes que depois me sinto vaga

aonde ela está? aonde esteve?
aquela garotinha que sentava no chão,
apoiava seus rabiscos e cotovelos na cama
e fechava as portas para ninguém entrar

aquela garota de all star
que perambulava sozinha
mochila, filmes e luar

aquela que adorava o Kundera,
Machado, Joyce, Bandeira

há tempos que me sinto embargada
preciso repensar
a linguagem que pressinto
é essência que não pode escapar

Anúncios

Lírios

Imagem

Os riscos do vinho sobre a mesa

caída a taça no chão

estilhaços de suspiros apertados

os lençóis lentamente arranhados

pelos, pés, coxas e braços

 

não se sabe das horas, das músicas

apenas se sentem as linhas que fazem as unhas

desenhando em suas costas

simples coisas que jamais serão ditas

 

pra quê pronúncia a vagar pelo ar?

se o sentido você já sabe ler

meu silêncio é o que se vê

eu te desafio a me amar

Saudade é assim

 

 

Sem você.

Um vaso vazio. Sem terra, sem planta, sem vida.

Cadê meu beija-flor, meu canto, minha luz?

É tão comum ter um jardim quando estou contigo, que às vezes esqueço o tanto que teu sorriso me ilumina. Quando tu não estás, a grama morre, primavera cai.

E eu, frio aqui, a sentir a falta da vida que tu me trazes, das pétalas que são as minhas mãos ao te ter, do teu olhar de sol e delicadas rugas que me fazem voar.

No meu canto a te esperar, verás no meu abraço o quanto floresce minha vida ao te sentir, pele a pele, beijo a beijo. Meu jardim.

Meu sonho, meu amor

Imagem

Olho pra trás e não parece real
um dia será que vou despertar disso tudo?
mas sinto tua respiração tão perto
o perfume da tua nuca
e os meus dedos se enterrando nos teus cabelos
enquanto parecer sonho,
nossa música vem e me arrepia

Simultâneo

Imagem

A música toca, no começo lento
Sem nenhum sintoma de movimento
Até que emudece
Num instante em que pisco os olhos
E com a leveza de um lenço
Ao cair no chão, ela colide
Golpeia, abafa, pisoteia
Tudo aquilo que era silêncio
Tudo aquilo que eu pensava estar bem
E não, não está
Está tudo atribulado, fatigado e mudo.
Por que eu não quis ver? Por que eu não senti?
Não percebo que o lenço é fardo
Que o volume da música invade minha falsa paz
E grita o verdadeiro acorde que meu coração encobre.

Diminutivo

Imagem

Quero o teu sorriso de risquinhos
tuas palavras de aconchego
casquinha e sorvete de torta de limão
misturados num sambinha de chuva
de gotinhas de inhos e inhas
que só eu mesmo acho gracinha
porque me vejo em tua pupila

Micro

Teus olhos navegam bem perto
Enquanto teu cheiro passeia por mim
Vem vento
Abraçar nosso minuto lento
Que mais parece eternidade
Quando teu olho seduz o tempo
E inventa nossa história sem fim

Pra sonhar

Imaginações e anseios
que talvez nunca se realizem
mas quem disse que elas já não acontecem?
mesmo que em nossos sonhos
e filmes
você e eu e nosso planeta distante.

Pra sonhar
Marcelo Jeneci

“Quando te vi passar fiquei paralisado
Tremi até o chão como um terremoto no Japão
Um vento, um tufão
Uma batedeira sem botão
Foi assim viu
Me vi na sua mão
Perdi a hora de voltar para o trabalho
Voltei pra casa e disse adeus pra tudo que eu conquistei
Mil coisas eu deixei
Só pra te falar
Largo tudo
Se a gente se casar domingo
Na praia, no sol, no mar
Ou num navio a navegar
Num avião a decolar
Indo sem data pra voltar
Toda de branco no altar
Quem vai sorrir?
Quem vai chorar?
Ave maria, sei que há
Uma história pra sonhar
Pra sonhar
(…)”

Reinventar

É meu anseio
Fazer das cores, novos bordados
Músicas antigas, remixes de um novo sol.
Mudar, mas não totalmente
Não se deve mexer na essência
A sua raiz é a sua força, é o seu eu.
Quero juntar os meus sentidos
E provar dos novos gostos
Texturas, sotaques e cheiros de chuva.
E ao aliciar novas e velhas formas de pensar
Só espero que minha ânsia de renovação
Demore um pouco para recomeçar.

[Figura adaptada do livro especial da minha infância O Barquinho Amarelo de Iêda Dias da Silva]

Abismo


O pior é não conseguir arrancar um pedaço do tempo e expurgar daqui de dentro. É mais fácil lidar com a face negra dos outros que encarar a sua própria.
É como a cada acordar, ao se olhar no espelho, uma mancha negra aparecesse em sua face. A cada dia, a mancha se espalhasse. Encara-se a angústia de não reconhecer mais quem é você.
Entregaram-lhe uma flor e você correspondeu com um tiro no peito. Encarar a sua face negra é olhar para as suas mãos segurando uma arma e a destruição de uma vida à sua frente. Não adianta o arrependimento, a não intenção de ter feito: a vida foi destruída e só você foi responsável. Como lidar com o sangue no chão? Como lidar com o desespero de querer sumir, de querer arrancar um pedaço de si?
É mais fácil corrigir o que está fora. Estilhaçar o espelho não vai mudar os seus olhos. Os passos pra frente não mudarão o caminho que se deixou pra trás. Nenhuma lágrima lava a alma.
Arde aqui a escuridão daquilo que eu mesma destruí.

Fome

O que é melhor pra mim? Viver a MINHA vida. Buscar as coisas que eu quero pra mim, descobrir o mundo com todas suas vitórias e fracassos e com os meus próprios passos. Ora, ser o que eu sou. E o que eu sou? Sou essa pessoa que não tem medo de ir atrás do que quer.
Cansei de viver às sombras. A gente nunca faz ou se torna algo sozinho. Mas, eu quero escolher meu próprio caminho. Sem esperar pelas decisões do outro. Cansei de só ter algo depois que outra pessoa acha que eu devo ter. Eu quero arriscar minha vontade e a opinião dos outros é válida sim, mas a decisão final eu quero pra mim, é minha.
Não quero ser egoísta. Não vivo sozinha, não conquistei nada sozinha. Sou eternamente grata pelas mínimas coisas que já fizeram por mim, muitos nem mesmo sabem que fizeram. Preciso e quero muitas pessoas por perto; mas não é a distância geográfica que me fará parar no tempo e me acorrentar no marasmo de mim mesma.
Eu quero essas calçadas. Eu quero esse vento. Eu quero esse calor, o frio, tudo o mais que a vida pode nos dar.
Dinheiro, profissão. Não é só isso. Não estou só buscando preencher um currículo, quero preencher minha vida, meu espírito, minha vontade, minha fome de ir.
Estou sorrindo pra vida e nada está me segurando. Eu não estou fugindo. Estou me encontrando.

Careta de beijo de peixe

Gosto de você no seu jeito mais normal de ser. Seu charme encanta, mas é do seu cabelo embaralhado de sono que eu gosto mais. Do seu olho inchado ao acordar. Do seu cheiro de um dia inteiro de trabalho.
É do seu sorriso tímido. Dos braços cruzados e da testa enrugada. Do olhar de reprovação ou tentando me ignorar. O suor das mãos nervosas, o semblante de tensão sem saber me abraçar.
Seu jeito de falar com os cachorros, de chamar a mãe, de fazer dengo por um pedaço de bolo. O jeito de cantar errado ou de não saber o que me dizer. O jeito de dormir, de respirar, de me sentir.
É do seu jeito sem máscara que eu gosto, daquela foto mal tirada, do olhar assustado, da boca cheia de pão. É engraçado pensar assim, não que eu não goste de você na sua melhor roupa e com o seu melhor perfume. Mas o meu gostar é tão grande que não importa se você faz careta de beijo de peixe. O meu sorriso já é teu. E não há quem tire.

I also can see what you see


Posso sentir tua euforia ao ouvir minha voz
Posso sentir a saudade no teu olhar
A vontade de me ter
Ao teu lado, perto do teu peito
Perto dos teus braços que me puxam para o teu beijo
Olhe nos meus olhos
Com as mãos entrelaçadas nas minhas
Deixe o mundo girar e se perder
E sinta que tudo isso eu também sinto por você

Madness

É como o ar daquela música que nos faz fechar os olhos e flutuar em pensamentos
Como o calafrio que percorre o corpo inteiro em câmera lenta
Como a respiração pausada e o silêncio que nos faz sentir o sangue nas veias
É o seu olhar
Que adentra meu mundo
Sorrateiro, invade, se enterra
Lentamente me acho nas nuvens, nada vejo, nada penso
Apenas sinto
Como um pedaço de papel perdido no vento, contornando o nada
Como um piscar de olhos de sono lento
Como ver a morte prenunciando a nova vida
Sentir o mundo girando vagarosamente
E a vontade apenas de continuar caindo
Leve, doce, breve

Vento

Eu sempre quis ir.
Pra onde e por que eu não sei.
Não sei que vontade é essa. Nasci com ela. Sempre quis ir embora, traçar um caminho, fazer escolhas pelo acaso, sem planejar muito e sem saber no que pode dar. Se eu vou quebrar a cara, se vão ser as escolhas erradas, isso não importa nem um pouco. Eu quero tentar.
Eu quero quebrar esse vidro que já está me sufocando há muito tempo. Quero conhecer as calçadas desse mundo com meus próprios passos.
Não preciso de um motivo. Não preciso de nada à minha espera do outro lado da rua. E eu não quero nem saber o que se encontra do outro lado da porta. Quando eu abrir, eu vou saber. E daí tudo pode acontecer.

Sentido

Eu tive um sonho.
Alguém estava morto dentro da minha casa. E ninguém sabia.

Enquanto eu perambulava, vivia minhas coisas, alguém dava o último suspiro. E só depois de eu já ter entrado no quarto onde o alguém estava morto, me olhar no espelho sem ao menos olhar para o alguém, e ter saído, é que deram conta da morte.
Quando souberam da morte, deram um jeito com o corpo. Eu não queria nem olhar, pois não gosto de ver corpos sem vida. Mas, enquanto isso, andando pela casa, achei o bebê do alguém. O bebê órfão. E comecei a cuidar dele. Ou tentar. Pois o bebê era totalmente difícil. Antes de acordar do sonho, eu dava o bebê para outra pessoa tentar dar um jeito, pois eu mesma não conseguia cuidar.

Acordei às 5h da manhã desse sonho estranho. E agora que escrevo sobre ele, uma hora depois, as coisas parecem se entrelaçar e fazer sentido.

O que eu penso? É que somos responsáveis, ou deveríamos. Há muita coisa à nossa volta e que não nos damos conta, ou não queremos. Fechamos os olhos, tropeçamos nas coisas que mal olhamos, só temos tempo para nós mesmos, para o nosso espelho. Não é preciso ir tão longe, não é preciso se sentir responsável pela fome das crianças da rua 18 da Angola. As coisas estão mais perto, estão na sua própria casa, são os seus próprios amigos que tentam estar do seu lado e você não enxerga.
Não queremos ser responsáveis. Passamos a bola para outro. Porque é difícil, porque é feio, porque não está de acordo com nossas frescuras, e o mais fácil é passar para outro, fechar os olhos e continuar perambulando sem sentido. O que não nos damos conta é que tudo o que passa por nós é para nos dar um sentido. As coisas morrem ao nosso lado, mas deixam vestígio. Não adianta fugir, a ferida pode curar por baixo da gaze, mas uma hora você vai encarar a cicatriz.

São 6h. Um novo dia nasce. Faz sentido para você?

Remix pouti pá ri

Se essa rua se essa rua fosse minhá
Eu mandava eu mandava lá brilhar
Com pedrinhas com pedrinhas de brilhante
Para o meu para o meu amor passá
Bom barquinho bom barquinho deixa nós passá
Carregado de filhinhos para Jesus criá
Três três passará
Derradeiro de ficá
Se não for o da frente o de trás será
Será será será será
Sapatinho branco que cores ficam bem
Sapatinho branco que cores ficam bem
Com quem será
Com quem será
Com quem será que a menina vai casá
É com o menino é com o menino é com o menino que a menina vai casá
Lá vem a noiva toda de branco
Lá vem o padre de cueca e tamanco
Lá vem o noivo de bicicleta
Escorregou e rasgou a cueca
Há há há há há há há há há há há há há

Renata Dias. Quando criança, cantava as músicas de modo errôneo, devido à sua audição apurada (?). Até hoje mostra dificuldades em gravar nome de música, nome de cantor e identificar as palavras cantadas de modo certo. Geralmentejuntatudoenãoconsegueouvirdireitooquesediz.
P.S.: Esse último verso (“Há há há há há há há há há há há há há”) realmente existia na minha cabeça no fim da música. Dorgas, manolo, dorgas.

Keep cooler

O que o gosto laranja
misturado no magenta
deixou para ficar
O cheiro que não se sente
a textura, o gosto
que silenciou…
O último olhar no corredor
A música repetida
silenciou…
Esse silêncio absurdo
a calmaria do ar
entre a sutileza do vento
entre os laços
separados
só mais uma vez, sem palavras por quê?
Embala meu sono, pois vou acordar
traz esses olhos de brilho
meu mais belo luar

Na historia que eu li

Passarinho se perdeu. Cansado e machucado, caiu na sua janela. Quase morto, você o viu. Suas mãos o trouxeram para si, seu olhar o cuidou com o maior carinho que se poderia ter. Protegido de todo perigo, ele se aconchegou, teve o cantinho mais confortável e dormiu.

Sonhou vivências mágicas, sorrisos e lágrimas. A dor das asas quebradas foi sumindo. E cada dia que passava, uma flor nascia na sua janela. Sem nem perceber, a chuva regava e o sol fazia crescer.

Jardim foi ficando sem espaço, até que a janela se abriu.

Passarinho voou, o vento soprou. Suas asas, tão bem cuidadas, levaram cicatrizes de um tempo bom. O melhor tempo que já viveu. E com a janela aberta, o jardim entrou, invadiu seus móveis, entrelaçou seus quadros, CDs e sofá. Você ainda dorme, mas assim que amanhecer, no abraço mais sutil, o sol vai tirar você da cama. E quando você abrir a porta… sossego bom. Passarinho se foi. Mas você ganhou toda a primavera.

Last kiss

Seria o final feliz de um filme ou o começo de um sonho?

A história de uma trilha sonora perfeita embalar devaneios e desejos. Mãos entrelaçadas, corpos deitados sobre a areia, vigiados pela lua. Você diz coisas lindas num tom de voz mais lindo do mundo. E a música canta mais alto que nossos corações, como se fosse o último beijo de um filme, enquanto vamos ficando longe, pequenos pontinhos na areia, ilusão de mar.

Se for final feliz, que seja então de um sonho. O que mais quero é acordar e te olhar nos olhos.

Última romântica clichê

Tem gente que acha que sou séria demais. Inspiro medo em alguns homens, pelo meu excesso de independência e confiança. Mas não é bem assim.
Sou dos tempos remotos. Ainda gosto de flores, cartas e versos. De olhar para lua, ficar de mãos dadas, do olho no olho sem dizer nada.
É tão fácil. Extremamente. E por que os homens não conseguem me conquistar? Sou exigente demais? Não acho. Por que como é que se gosta de um homem que não liga para saber do seu dia, que não chama nem para ir a um bom restaurante? Não dá pra acreditar que todos os homens sejam assim, tão sem graças. Devo estar no lugar errado e com os caras errados, só pode.
Não procuro um príncipe. Pelo contrário, fujo de homens muito bonitos e perfeitinhos e certinhos, tenho preconceito mesmo. Sempre achei os mais feinhos e desajeitados muito, mas muito mais interessantes.
Será que estou assistindo muito filme? E da Disney? Hahaha. Não sou a Barbie procurando o Ken. Só estou na lista das últimas românticas. E estou mais para o rock que para o reggae. E o que importa? Eu ainda gosto de ficar nas nuvens. Talvez, daqui a alguns anos, eu mude, me torne mais sem graça e esteja com um cara que ainda usa “cantada” para conquistar. Aff.
Vinho, música, você e eu. É difícil assim? Não que eu goste de coisas tão arranjadas. Gosto da espontaneidade, da sutileza do tempo. E do frio na barriga me pegar de surpresa. Sem pressa. Quero o instigante, o mistério. Porque clichê quem deve ser, é meu romantismo. Nós dois eu quero é de olhos vendados.

Síncope


“(…)
Meu amor com um olhar
Instaura uma paixão
E com outro olhar
A solidão
Me ama conforme a lua
Faz um clarão
Lua cheia, me corteja
Lua nova, diz que não
Meu amor é de mar
É de maré
É de maré
É de maré
(…)”

____
De maré
Sururu Na Roda
Composição: Roque Ferreira e Toninho Geraes

Expectativas vazias


não sei muito bem o que esperar de nós
escutar os seus passos
e a porta em silêncio
canta em mim sua voz
os fios das horas
e você olhando para mim
em sono desbotado de jazz
A pena ainda cai
lenta

Breve piscar de olhos


o vento sopra tua boca e traz teu gosto pra mim
sinto a tua língua na minha
saudade não tem fim

Impressões pessoais sobre Ouro Preto


Os poucos dias que fiquei em Ouro Preto me deixaram totalmente encantada com a cidade. Gosto dessa atmosfera antiga, de me desvirtuar do presente e pousar num flash do passado.
Andar por aquelas ruelas de infinitas ladeiras, feitas de pedra sabão e calçadas mínimas, era uma volta no tempo. Uma cidade sem outdoors, e sem lixos na rua. Lojas sem painéis luminosos. Por fora da loja, o máximo que se tem é uma plaquinha pendurada com o nome do estabelecimento, como se fosse escrita à mão.
Escadas e pisos de madeira. Janelas sem grades, onde as pessoas pousavam-se para ver o fim da tarde. Flores de decoração.
E o que são aqueles restaurantes? Os cafés e chocolatarias? Feitas num capricho simplório mais do que perfeito. O fascínio começa pelo atendimento, passa pelas paredes, o cheiro, as toalhas, a música, especialmente o jazz, e vai se esgueirando pelo cardápio e o sabor que se sente na boca.
Talvez, não seja lugar para ser minha moradia, nos dias de hoje. Ainda estou eletrocutada pelas buzinas, prédios e empenas. Acho que sentiria falta de um supermercado 24h. Mas, com toda certeza, é um lugar maravilhoso para aquietar os olhares, conhecer belos sotaques e histórias de vida.

__________________
Ouro Preto é uma cidade histórica de Minas Gerais, reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade
Fotografia: Débora Tavares Alves
Edição de fotografia: Renata Dias

Coleção da infância – 02


Estava eu pensando sobre as maldições / coincidências que ocorreram com pessoas ligadas às produções de filmes com temas demoníacos e lembrei-me do filme The Omen (A Profecia).

Procurei no Google e percebi que a versão que assisti era um remake. E que a versão original de 1976 é muito mais interessante. Fiquei com vontade de ver.

E, assim, lendo sobre o filme, de repente lembrei que quando criança escrevi uma história bastante parecida. Não sei se na época vi o filme de 76 e fui influenciada e escrever ou sei lá, é muita coincidência. A verdade é que não lembro mesmo de ter visto a versão de 76.

Enfim, compartilho com vocês mais um texto que escrevi na infância. Um tanto sanguinário para ser escrito por uma criança de dez anos, mas ok. Ri demais.

Foram muitos Cinema em Casa de influência, que na época não tinha classificação por idade.

FIZ QUESTÃO DE DEIXAR OS ERROS GRAMATICAIS, DE CONCORDÂNCIA, PLURAL, VERBO E TUDO MAIS. Divirtam-se!

O espírito mesterioso

Havia uma vila muito pobre sem alegria e muito menos movimentada.
Ana e José, moravam lá. Eles era casados.
Ana estava grávida de seu primeiro filho.
Ana brigou com Jose às 11:30 da noite. Eles se batiam e gritavam, faziam um escândalo danado.

Ana saiu de sua casa, e foi procurar um lugar para entrar e descansar. Mas o único lugar que ela achou aberto foi o cemitério.
Ela entrou, e no meio do cemitério, havia uma cepultura com uma caveira, tinha chifres, cauda e segurava alguma coisa na mão. Ana tão assustava saiu correndo, e teve uma dor na barriga, quando ela olhou a sua barriga estava se mexendo demais, parecia um plástico mole, com alguém querendo sair, mas não conseguia e empurrava.
Ana não se sentia bem, e foi para o hospital, só que estava fechado.
Ana voltou para casa sem discutir com José, e descansou em sua cama.

De manhã cedo ela foi tomar café da manhã e não conseguia engulir, uma vez ela conseguiu mas se engasgou.
Passou meses e aos nove meses Ana foi para o hospital antes de dar a dor.
Quando ela chegou com José no hospital, se sentiu-se mau, e José chamou o doutor.
Tiraram seu filho, mas na hora foi muito estranho, o bebê não chorou e os médicos não mostraram o bebê, e conversavam no ouvido sem que Ana ouvisse.
Ana achou que o bebê havia morrido.
Mas no outro dia os médicos pegaram o bebê com luvas na mão, porque o bebê era igual a caveira que Ana tinha visto no cemitério, com chifres, cauda e uma coisa na mão, muito estranho. Os médicos colocaram numa caixa e o enterraram no cemitério. Depois foram direto para o orfanato e adotaram um bebê bem novinho.
Chegaram no hospital e deram para Ana, Ana ficou tão feliz pelo seu bebê maravilhoso.

Quando Ana colocava-o no berço e ia cozinhar, um espírito dizia para o bebê:
– Você não vai viver por muito tempo, seu menino horrível.
E começava a biliscar o bebê, ele chorava e Ana ia ver o bebê estava todo vermelho.
Ana o levou para o hospital, os médicos não viram nada de mau no menino, só disseram que ele podia ser alérgico.

Lucas (que era o bebê) desde aos 4 anos, quando andava pelo corredor de sua casa, via um espírito horrível. Depois ele ia para cama e tentava dormir. Mas não adiantava, porque Lucas sonhava que estava sendo atacado pelo espírito do mal.
Os únicos que sabiam deste espírito, era os médicos que o enterraram.

Um dia, o espírito pegou pelo pescoço de Lucas e o enforcou, ate Lucas desmaiar.
Ana havia saido e José também, apenas a babá de Lucas que estava lá.
Quando a babá de Lucas foi varrer o seu quarto viu o Lucas desmaiado, Maria (a babá) não sabia o que fazer, pegou o telefone e ligou para o hospital. Os médicos chegaram e curaram Lucas.
Quando Ana e José chegaram, perguntaram se havia acontecido alguma coisa de errado, Maria disse meio triste para seus patrões:
– É, sabe que aconteceu, seu filho demaiou e eu chamei os médicos, e eles curaram Lucas.
Ana desesperada perguntou o motivo do desmaio, e Maria respondeu que não sabia, só tinha visto ele caído no chão.

Uns meses depois o espírito começou a aparecer aos médicos que o enterraram, ele dizia:
– Vocês são uns ediotas! Porque me enterraram se eu estava vivo.
Um dos médicos respondeu:
– A gente já sabia que você surgiu no mundo, apenas para fazer o mal.
– Por isso vou me vingar de vocês, de Ana e de Lucas – disse o espírito.
– Não! Não mexa com Ana e nem com Lucas, eles não tem culpa, quem tem culpa somos nós por ter te enterrado vivo!
– Mas o Lucas tomou o meu lugar, e por causa disso vou matá-lo.
Alguma voz alta falou:
– Doutor Marcos, urgente ir para a sala de parto, uma mulher está quase morrendo de dor.
O doutor Marcos foi abrir a porta do escritório para sair, e o espírito fez uma mágica para Marcos quebrar as duas pernas. Um dos médicos gritou:
– Não! Você não merece viver, seu espírito malvado!
– Obrigado pelo nome, eu precisava de um nome: malvado, ra ra ra ra!

Depois disse ele vestiu a roupa do doutor Marcos, e foi para a sala de parto, fazer uma coisa incrível, sabe o quê? Ele ia matar a mulher. E na hora que ele chegou meteu uma faca na barriga da mulher e matou os outros médicos que estavam lá.
O espírito mesterioso, foi para casa de Ana.

Quando chegou lá, a primeira coisa que ele fez foi matar Maria. O espírito mesterioso, estava bagunçando a casa e fazendo barulho para que alguém fosse ver e ele matava. Mas ninguém foi. Então ele foi procurar, só achou José dormindo. Depois ele sumiu pela janela.
Só num dia ele matou 54 pessoas, só para se vingar, porque se ele estivesse vivo, com seu corpo de carne, ele ia matar menos.

No meio da rua ele encontrou Ana com Lucas fazendo compras, ele aproveitou e agarrou Lucas e botou uma faca quase encostado no pescoço e gritou:
– Me dão todo o dinheiro se não mato este menino!
Todos deram. Mas não adiantou, ele sequestrou Lucas. Ana seguiu eles.

Quando o espírito ia matando Lucas Ana chegou e gritou:
– Solte Lucas, e diga quem você é.
O espírito disse:
– Oi mamãe, como vai? Acho que chegou a hora de você saber a verdade.
Ana não prestou atenção para ele e gritou de novo:
– Solte meu filho! e te dou todo meu dinheiro!
– Seu filho sou eu e não Lucas. Vou contar tudo para você saber que Lucas nunca foi seu filho. você se lembra que quando eu nasci eu não chorei, e os médicos não te mostraram o bebê. É que eu era muito feio e continuo sendo, com chifres, cauda e dentes afiados. Eu sou feito pelo DIABO para fazer o mal. Depois eles me enterraram e adotaram Lucas para você. Mas meu espírito está aqui, com poderes, e quero me vingar daqueles médicos, de Lucas e de você (mamãe).

Mas na hora que o espírito do mal ia matando Lucas, Ana desmaiou e os médicos com os policiais chegaram.
Os médicos estavam tentando acordar Ana, e os policiais meteram fogo no espírito do mal, e Lucas começou a chorar.
Ana acordou e abraçou Lucas.
Mas o espírito não morreu e atacou um dos policiais. Outros policiais ajudaram o outro e jogaram fogo no espírito outra vez. Mas não adiantou.

No pensamento de Ana estava dizendo a ela se lembrar da caveira daquele cemitério. Ana se lembrou que estava escrito na caveira que se misturasse sal com água os espíritos morrem de novo, e para sempre. Ana pegou numa casa ao lado, enquanto eles brigavam com o espírito. Ana pegou e jogou no espírito, mas antes ela falou a ele:
– Eu acredito que você é meu filho verdadeiro, mas tenho que te matar, para não prejudicar as pessoas. Adeus meu filho malvado, que vá para o inferno!

De repente ele sumiu, e deu uma paz nos corações.
Ana foi para casa chorando, desesperada com Lucas no seu colo.
E a perna do doutor Marcos voltou a ser normal.

Passava anos, e Ana nunca esqueceu daquele filho que ela teve, que ela mesmo o matou. Mas ela tinha um filho educado, quieto sem reclamações, mesmo não sendo dela, ela o amava mais do que o amava antes. Ana não tinha sempre seu sorriso, toda vez que falavam a palavra filho, ela se lembrava de seu filho criado pelo DIABO, que ele se foi, para o inferno.

THE (O) END (FIM)
ATENÇÃO! Nunca diga a palavra diabo.
Autora: Renata Tavares Dias
livro: o espírito mesterioso.
feito no dia: 1-6-98 e terminado no dia: 2-6-98

Amor sincero

Foi num piscar de olhos que tudo se apagou
já eram novos tempos
Tudo se transformou
e eu fiquei perdido no mesmo lugar vendo pessoas indo e outras a chegar

Você não vai saber, tão pouco entender
Pois só a idade esconde um coração

Eu só quero um amor sincero
Que toque minhas mãos
Que faça minha vida mudar

Eu não consigo ver aonde eu vou chegar
Sinto que estou mais velho
Preciso caminhar
As noites são mais longas
Os dias são mais curtos
Eu vou entregar minha alma
E transformar meu mundo.

Rosa de Saron
Composição: Eduardo Faro

As rosas não falam


Você já sentiu que amava uma pessoa que conheceu em menos de 24h? Uma pessoa que você não viu, não tocou nem ouviu, apenas trocou palavras escritas?
Você acredita em amor à primeira vista? Em olhos que se cruzam e em milésimos de segundos se apaixonam?
Você acredita em amor eterno? Que só se ama uma vez? E que é possível sentir o coração batendo todos os dias por uma única pessoa?
Você acredita no amor? Afinal, para você o que é o amor?
Sentar ao lado do outro sem dizer uma palavra, mas se sentir tão confortável por saber que o outro lhe entende. Desejar um abraço e com ele se curar de qualquer dor.
Acordar e pensar numa pessoa. A mesma que você dormiu pensando. Sonhar com ela e mesmo assim morrer de saudade.
E se for apenas costume? O desejo de estabilidade. De saber que se tem alguém que se gosta garantido. Porque se acostumou a dormir sempre ao seu lado, sentindo seu cheiro e seu hálito. E quando se tem que dormir sozinho, faz um vazio enorme quando o outro não está ali.
Se for apenas por segurança? Porque todos nesse mundo, uma hora, se sentem sempre sozinhos. Por mais que estejam circulados de pessoas queridas e família. Porque você é dele e ele é de você. Sentimento de posse?
Se for apenas mero engano dos cinco sentidos? Porque é ótimo sentir um braço lhe envolvendo, uma mão na sua mão, o sussurro no seu ouvido, o olhar de desejo, a maciez dos lábios, e a língua.
Paixão. Amor. Meu bem. Querido. Você acredita?

Lapsos


“O tempo passa e nem tudo fica
A obra inteira de uma vida
O que se move e
O que nunca vai se mover”

Frio na barriga ao saber que cada dia que passa é um dia perdido, um dia que se foi e que você deixou de fazer muitas coisas.
A vida entre os dedos. A gente sopra e ela vai longe. Chances que temos e não usamos. O fim pode ser exatamente agora. Pelo menos o fim que conscientemente pensamos ser.
Tenho medo de que daqui a dez anos eu não seja o que imaginei. Medo principalmente de me arrepender de não ter feito algo.
Mas, os dias passam, e deixo muito do que gosto e quero aprender para trás. Há sempre compromissos à frente, compromissos, aliás, que eu mesma os coloco na frente.
E assim, vai. A cada dia perco e renovo chances. Até o dia em que só perderei.

Não abro mão

Enganamo-nos. Felicidade está em pequenas coisas. Num bolinho de chocolate, num gesto simples, numa tarde de andarias no shopping, numa música cantada, num amigo.

Já há tanta coisa ruim para se preocupar nessa vida, tanta. Por que cavar mais fundo esse buraco, se afastando de pessoas que nos fazem bem? Eu não abro mão, repito, não abro mão.

A felicidade se faz com pequenas coisas e grandes pessoas. É difícil demais encontrar amigos de verdade, aqueles que só por existirem já nos fazem felizes. E não importa quem seja ou onde esteja, se é homem, mulher, criança, velho, pobre, feio ou seja lá o que.

Pessoas são pessoas, acima de tudo. E amigos, para mim, estão acima de qualquer fofoca idiota. Carro, roupa, bunda grande e maquiagem, é isso que você prefere? Desculpe, mas eu prefiro pessoas.

Não vou abrir mão dos meus momentos felizes. Não vou abrir mão dos meus amigos. O que eu vou ganhar com isso? Nem Jesus conseguiu agradar a todos, não sou eu quem vai conseguir.

Agenda

setembro 2017
D S T Q Q S S
« nov    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Postagens