Com sem

Mas quando penso o sem
O com me faz tão bem
Dá medo só de pensar
E o sem eu tento nem imaginar
Porque só quero com você
É com você que eu quero ficar

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Cupido


Eu vi quando você me viu
Seus olhos pousaram nos meus
Num arrepio sutil
Eu vi… pois é, eu reparei
Você me tirou pra dançar
Sem nunca sair do lugar
Sem botar os pés no chão
Sem música pra acompanhar

Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu

Eu vi quando você me viu
Seus olhos buscaram nos meus
O mesmo pecado febril
Eu vi… pois é, eu reparei
Você me tirou todo o ar
Pra que eu pudesse respirar
Eu sei que ninguém percebeu
Foi só você e eu

Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu
Ficou só você eu eu

Quando você me viu…

Maria Rita
Composição: Cláudio Lins

Cinco coisas que você não sabia sobre mim

O Entrelaces é um blog um tanto estranho. Dizem que o que a gente escreve, por mais que seja fantasia, é reflexo do que somos e pensamos.
Mas, neste post serei assumidamente eu. Um tanto piada. 😉

1- Eu me escondia quando estava aborrecida
Quando criança, se alguém brigava ou dizia qualquer coisa que me afligia (não precisava ser grande coisa, sempre fui muito sensível, rs), eu logo procurava um lugar sossegado para me esconder. Ficava lá, de braços cruzados, segurando o fôlego na boca. Até hoje, quando me aborreço, minha primeira vontade é fugir e deixar tudo pra trás. Covarde!

2- Sempre sentia falta dos meus amigos
Eu mudava muito de escola. A cada ano, ou dois anos, eu trocava de escola. E sempre que isso acontecia, eu sentia saudade dos amigos que deixei para trás, julgando-os melhores que os novos amigos, até quando, mudava de escola de novo, e tudo se repetia. Hoje, ainda sou do mesmo jeito. Se estou em Belém, sinto falta dos amigos de Tucuruí. Se estou em Tucuruí, sinto falto dos amigos de Belém.

3- Eu me odiava na adolescência
Acho que todo mundo na adolescência fica revoltado e procurando algum defeito, mesmo que não seja propriamente um defeito, para poder se odiar. Mas, eu exagerava nisso. Achava-me menor em tudo que fazia. Tornei-me extremamente tímida devido às minhas acnes no rosto. E sempre achava que ninguém gostava de mim. Hahaha

4- Eu me achava gorda
Eu não era nem um pouco gorda, nem “cheinha” e ainda não sou. Mas, eu me achava.

5- Acordar
Eu não era assim. Isso foi acontecendo aos poucos, desde o ensino médio, onde tinha aula de manhã e à noite. Comecei a querer aproveitar todo o tempo que tinha pra dormir, já que não tinha mais tanto tempo assim. E na universidade, fazendo dois cursos ao mesmo tempo, fora os estágios, eu comecei a odiar acordar. Todos 5 minutinhos a mais na cama eram válidos. E até hoje o som do despertador é a pior coisa do mundo para mim.

Bom, pessoal. É isso. Acho que foquei muito no “odiar”, né? Mas, eu sou uma pessoa legal e feliz. Juro. Hahaha

Vício


A overdose de querer estar junto nos fez abrir mão de tanta coisa. E não nos importamos. Nem pensamos, quando vimos, já estávamos dependentes. Gostávamos disso.
Mas, brigamos. A rotina nos aborreceu. As responsabilidades da vida, antes feitas com tanta empolgação e vivacidade, levadas pela intensidade da nossa energia recíproca, começou a desandar.
Começamos a tropeçar. E simplesmente pela falta de atenção. O nosso foco tornou-se apenas você e eu, o que vinha junto era resto. Esquecemos as calçadas e só olhamos o horizonte.
Comecei a me sentir desconcentrada. Você por perto tirava toda minha concentração. Eu só queria você e mais nada.
Brigamos. Tentamos dar um tempo.
Mas, o que fazer se sem você eu me sinto mais desconcentrada ainda?

Sente-se


Tenho a impressão de que todos nós somos crianças. Mesmo adultos e cheios de responsabilidades.
Sempre que penso no quanto algo é sério, quando me vejo bem próxima, aquilo se torna tão banal. Descartado, vejo que as coisas nem fazem sentido. Dá vontade de rir da seriedade das pessoas.
Não sei se não dou valor ao que faço. Mas, vejo tudo tão simples. As pessoas vivem tentando encontrar um sentido e uma explicação para o que usam, o que fazem, o que escolhem. Nem elas próprias conseguem explicar, no fundo, ninguém sabe.
A vida é isso aqui. Você é isso aí. Dar sentido é tão legal, mas não precisa morrer por isso. Afinal, o motivo da vida é o sentido equivocado das coisas. Pelo menos é esse o meu sentido.

Tão errado de tão certo


Desculpe
não resisto às suas olheiras
a me fitar, tão sérios, me fazem direita
seu abraço desconcertado
é o que há de mais confortável
nossa montanha russa de emoções
é a paz que quero pra mim
nossos ciúmes e possessões
são nossas piadas para rir

Sonho estranho


Estava numa espécie de pub com duas amigas. Olhávamos livros, enquanto os garçons passavam com bandejas. O lugar era bastante medieval, todo feito de madeira bem polida e cheio de corredores. Numa hora, uma amiga desapareceu. Apareceram mais duas amigas e passamos a sentir falta daquela. Na procura por ela, eu me perdi num dos corredores, até me achar num corredor muito escuro e sujo, feito de cimento frio.
Por uma grade passei, sozinha, desci uma pequena escada de três degraus. Deparei-me com um ser estranho, a princípio muito simpático. Para chegar ao fim do corredor, não muito longe, deveria andar com água turva até a cintura.
Ao fim do corredor, ao dobrar um pouco, já estava num barquinho com muitos amigos boquiabertos. À nossa frente estava uma espécie de escola de Hogwarts (?), com muros bastante altos e de tijolos marrons claros.
Ao entrar, os seres ali existentes queriam nos injetar algo estranho e nos obrigar a viver ali para sempre. Eu me via sempre correndo numa rua asfaltada, tentando fugir, mas o ser que não era mais simpático sempre me barrava. Por vezes, eu tentava ultrapassá-lo, até conseguia, mas ele me achava logo, me agarrava, às vezes, suas unhas sujas me arranhavam, e eu retornava à prisão de experimentos malucos.
Talvez, eu tenha conseguido me salvar, mas vivia numa tensão muito grande, ao pensar que a qualquer momento pudessem me encontrar.

Extremidade


Por um momento pensei: acabou. Queria relembrar das nossas risadas, palavras e cheiros. Mas, o sentimento que me invadia era outro.
Primeiro, a raiva. Vontade de chutar a parede, rasgar as cartas, apagar as fotos, tirar de vista tudo o que me fizesse lembrar de nós. Depois, melancolia. Desânimo até para respirar, as forças que ainda tinha eram apenas para me tirar lágrimas, muitas lágrimas.
Tempestades sempre passam. Experimentei até a última gota.

Esmiuçado


estilhaçado
embrulhado
esmagado
amargurado
esmigalhado
torturado
estratificado
despedaçado

Desejo de ir

Dá vontade de lembrar se não vou fugir
Dos tempos futuros que ainda estão por vir
Saber do que restará da hora de dormir
Sua voz inspiradora ainda vou ouvir?

Estante de recordações

Engraçado que nos velhos tempos, quando eu tinha tempo de sobra, passava uma tarde inteira, sentada no chão do quarto da minha mãe, arrumando os livros literários da estante dela.
Organizava meticulosamente, cada livro sobre uma linha de definição. Tinha uma coluna só de livros infanto-juvenis, a maioria da coleção Vaga-Lume. Eu adorava estes, pois eram os que eu podia ler. E todo esse contato (literal) com os livros, foi me dado pela minha mãe. Ela, pessoa que valoriza intensamente a leitura, de vez em quando me indicava algum livro. Não me obrigava, só me indicava. E nessas indicações eu li vários e foi quando nasceu minha paixão por literatura.
Mas, não só a paixão por literatura. Também a paixão por organizar tudo. Pena que hoje o meu quarto não segue mais essa minha mania, mas nesse tempo eu fui obtendo o hábito de deixar tudo sempre certo. Meu caderno da escola era pecaminosamente organizado. Meus brinquedos, minhas roupas na gaveta, meu jeito. Mas, o que me recorda bastante de um modo muito interessante e nostálgico era a organização dessa estante.
Por horas, sentada no chão, ao organizar os livros, já fazia planos de quais seriam os próximos livros a ler. Daí, a coluna dos infanto-juvenis era organizada de tal maneira que os já lidos ficavam juntos, abaixo dos próximos a ler, em ordem de preferência.
Nessas horas, eu também já gostava de conhecer os livros que leria quando estivesse mais velha. Justamente eram os livros de letras menores, que diversas vezes via minha mãe lendo em seu quarto, ao mesmo tempo em que na TV passava alguma coisa e ao mesmo tempo em que de vez ou outra eu conversava com ela. Anos mais tarde, eu ficava a pensar nisso: no modo como ela conseguia me dar atenção tão bem, lendo um livro ao mesmo tempo. Pois, eu própria, não aturo, até hoje, ninguém ao meu lado se estiver lendo e não acredito que com os meus filhos eu terei essa mesma paciência.
Acho interessante como pequenas coisas que acontecem na nossa vida nos fazem tanta diferença. O cheiro dos livros daquela estante me é profundamente importante. Faz-me curiosamente muito bem quando lembro dele. A textura de alguns livros ou a vagarosa sujeira neles de giz, devido minha mãe ser professora e levar alguns deles à escola, também me é uma grande recordação.
Essa estante e todos esses livros, com certeza, guardarei em mim para sempre. Mais que isso, guardarei o carinho e o cuidado que minha mãe teve comigo. Meu gosto por leitura se deve totalmente a ela. E é por isso e por mais, que me faz tão bem lembrar disso.

Versinhos de aniversário

parabéns a uma guria
que conheci no Orkut
onde conheci o seu blog
onde conheci suas idéias
onde conheci a certeza
que é uma grande amiga!

feliz aniversário, Ju!

🙂

A morte é pia

Sempre pensei na minha pós-morte. De como será a reação das pessoas, do que irão dizer, das coisas como “ela era uma boa menina”.
Será que farão um livro sobre minha vida? Quem sabe um filme. E o Jornal Nacional fará alguma reportagem emocionante e terminará com 1 minuto de silêncio. E depois de uns cinco anos, o Fantástico fará uma homenagem relembrando minha vida, com filmetes dos meus amigos e familiares contando histórias engraçadas sobre nós.
E as histórias, quais seriam? “Ela era muito cdf, sentava na frente e era difícil ouvir o que ela dizia”, diria algum amigo que estudou comigo quando tínhamos 13 anos. “Ela era uma pivete que não levava nada a sério”, diria outro amigo. Imagino essas falas dubladas, com vozes estranhas.
Será que criarão uma Instituição com o meu nome? Aceito nome de rua também.
Dá vontade de morrer só para saber.

Estranho
Enquanto escrevia este texto, ouvia Raul Seixas. Quando terminava a última frase, pela primeira vez ouvi “Canto para a minha morte”. Coincidência mágica! Achei válido, portanto, colocar a letra fantástica aqui:

“Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar
Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas… Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio…
Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite…
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida”

Raul Seixas
Composição: Raul Seixas e Paulo Coelho

Pontos de segundos

Não me arrependo do que fiz. Não quero jamais me arrepender de novo. Por que as pessoas se importam tanto com o que sentimos? Se pelo menos se importasse pelo bem, seria plausível. Mas se importam pelo outro lado, querem te ver tropeçar, descer pelo ralo.
Pensei em tudo o que já vivi. Claro, que não foi em tudo, mas em boa parte do que pensei ter vivido. Se tudo foi verdade ou sonho, não importa, a minha memória assim a fez parte de mim.
Sou construção da minha própria percepção. Da minha memória esparzida. Do meu espaço invadido por outras percepções e memórias daqueles que vivem aqui ou que jamais me viram.
Num minuto que se passa são tantos os pensamentos, impossíveis de descrevê-los em signos de papel. Penso no quanto pensamos durante um dia, um ano, uma vida. E os pensamentos não têm linha, são vários pontinhos escuros, os quais, um dia, ou mesmo nunca, se fazem sentido.

Guardado

mal consegui te olhar
não senti teu cheiro
não senti tua pele
não senti tua boca
não senti tuas mãos
mas senti teu sorriso
que me tirou o fôlego
senti tua presença
senti tua voz
senti tua alegria
senti teu silêncio de lua
e o quanto é fantástico
sentir qualquer coisa que venha de ti
estranho mesmo é sentir

Respire aqui

Acredite em mim
se te olho assim
com o olhar de comer olhos
de saltar do peito
batimento encurralado
não me olha assim
com os teus olhos de asas
me sinto tão viva
teu olhar, minha alma

Coleção da infância – 01

O meu gosto por escrever vem desde a minha infância, quando eu dizia que queria ser escritora. O meu sonho era publicar um livro para crianças, mesmo sendo eu uma criança.

Ainda guardo a sete chaves muitas dessas relíquias. São pouquíssimas as pessoas que me conhecem e sabem dessas minhas histórias. Mas, resolvi, hoje, publicar uma delas aqui no blog.

Transcrevo-a, portanto, abaixo e é bom dizer que mantive todos os erros de pontuação, ok? Não me recordo quantos anos tinha quando a escrevi, mas acho que devia ter uns 8 anos.

Lá vai:

________________

Primeiro dia de aula

Eu nunca tinha estudado, então eu não sabia como era a escola.
Meus irmãos mais velhos ficavam me dando susto. Eles diziam que a professora tinha chifres e ela colocava a gente sem recreio, e que a nossa mãe esquecia de buscar a gente na escola.
Eu acreditava em tudo que meus irmãos falavam para mim.
Quando minha mãe me deixou na sala de aula e disse tchau, eu ficava tremendo de medo.
A professora chegou e disse: bom dia crianças.
Eu reparei na sua cabeça, mas não tinha nenhum chifre.
Quando o sinal tocou eu perguntei para professora:
– Agora é o recreio professora?
Ela respondeu:
– É sim, podem sair.
Eu ficava pensando, será que era mentira que meus irmãos disseram.
Bateu o sino e entramos de novo para sala de aula.
Nós desenhamos, pintamos e muitas coisas.
Bateu o sino para gente sair e eu me lembrei que meus irmãos disseram que a mamãe ia me esquecer na escola.
Eu olhei para o lado para o outro e vi muitas crianças com suas mães.
Eu comecei a chorar e gritar.
Todos sorriam, mas eu nem ligava e continuava a chorar e gritar.
E quando eu ouvi a voz da mamãe eu parei de chorar e corri para os seus braços.

________________

Meus próprios comentários:

É interessante ver a infância através dos olhos de uma criança.  Sua rotina, seus hábitos tão ingênuos.
Parece que lembro quando escrevi essa história. E me recordo que a escrevi tendo como base o meu próprio primeiro dia de aula, misturado com minhas pequenas imaginações. Até mesmo as falas são tão reais, todas com base na vida cotidiana, no jeito como se aprende a falar com a mãe, com o pai.
É muito bom relembrar nossa infância. Qualquer coisa que me faz recordá-la se torna demasiadamente especial.
Espero que tenham se divertido com essa historinha. Depois, prometo postar mais.

Abraços!

Longe, bem longe

“Tenho tanta vontade de sair daqui”, disse ela.

Abriu a porta com um suspiro. Deixou a bolsa em cima do sofá, lentamente. Andou até seu quarto como se estivesse a caminho de um funeral. Debruçou-se na cômoda, mirou-se no espelho. Seus olhos cansados não negavam sua insatisfação.

Por um tempo, se olhou ali no espelho, mas não tinha os pensamentos sobre si. Estes pousavam no último dia, na gota d’água que a fizeram mais do que nunca querer sair dali.

Ela vinha se achando uma idiota, mas se sentia obrigada a se recurvar diante de tudo. Ela não tinha sua independência financeira, e por isso não se via no direito de exigir. Mas, agora era diferente, ela começara a trabalhar e a dividir todos os custos. Aos seus olhos era justo ter, agora, também que dividir as tarefas da casa. Todos estavam na mesma posição, portanto, todos deviam ter direitos e deveres iguais. Se ela também pagara por aquele espaço, ela também podia dividir as tarefas. O problema é que a sua idiotice fora tão grande que os outros se acostumaram.

Ela não se posicionara em nenhum momento, antes. Não se mostrara indignada, só se recurvara. Os outros já tinham mentalizado que as tarefas eram dela mesmo. Pagando ou não por aquele espaço, as tarefas ainda eram todas dela. E agora quando ela tentava mostrar sua voz, os outros gritavam mais forte, como se fosse uma simples vontade dela de não querer fazer as coisas.

Embora toda sua indignação, toda sua vontade de gritar, de quebrar aquele espelho no qual ela se olhara, sua voz não saía. Ela era mesmo muito idiota, era o que pensava.

Mas, seus dias de idiotice deveriam acabar. Juntou suas coisas, dobrou suas roupas, guardou tudo que era seu. Ligou para um táxi e se foi. Foi embora no mesmo silêncio que ali permaneceu aos recurvos. Silêncio por fora, mil sentimentos por dentro. Olhando a cidade em movimento pela janela, suspirou. Mas, de felicidade, agora.

Com fusão de duas mentes

Por que se torna tão difícil ser você mesma? Difícil para você aceitar seus próprios erros. Pois, quando você não é você, é mais fácil admitir, pedir desculpas e dizer que aquele não, aquele não era você.

Não, não é só por mera facilidade de admitir seu espelho. É, na verdade, por não saber quem você é. Será?

Entender a si próprio, saber por seu olhar o que você mesmo está sentindo. Porque há situações que nos pegam de surpresa. O seu coração bate forte, mas você não sabe por que. Não sabe aonde suas promessas vão te levar, ou a falta delas. Não sabe o que você realmente quer, pois suas palavras são essas, mas suas atitudes são outras. E não é por propósito, é por espontaneidade. Seu corpo leva.

Dizem o quão a mente é poderosa. O que mais vale quando você acredita em algo, mas seu corpo desfaz e te leva para outro ponto? A sua mente é que trabalhou nisso? Aliás, o seu consciente?

Às vezes, acho que somos mais, muito mais, o nosso inconsciente. É justamente ele que nos faz. E se é inconsciente, é porque seu consciente não sabe. Você não sabe. Ninguém sabe.

Melhor “terminar” aqui sem o ponto final

Sinto

Esse ar urbano, com brisa noturna tão bem me atrai. Sinto-me num filme, onde os passos nas calçadas geladas se fazem lentos, em pensamentos. Às vezes, sinto vontade de me encravar nesse ar, de carregar nas costas minha bagagem, sem levar o passado, e sem destino, como música sem fim, sair, fugir.

Nada planejado, nada que hoje me deixe inconformada com o que tenho. Mas, é muito mais que isso, é algo que vem espontâneo, uma viagem na alma. É vontade que não se escolhe, se nasce. E pronto.

E se vai correndo o tempo. Às vezes, é tudo esquecido, guardado num canto. Até que a brisa me acha, o cheiro transpassa e me faz sentir outra vez, como se o que já tivesse vivido fizesse parte de um passado distante, uma outra vida.

Saber se um dia tudo isso vai se realizar, de fato, com os pés nas calçadas, os cabelos entre a tal brisa, eu não sei. A música vai continuar, vai fugir para outros ares e voltar mais uma vez, isso eu sei. Um dia, o filme se faz sim, pelo menos é o que eu sinto.

Sala de estar

eu sou as lembranças
vozes e cheiros
um tanto crianças
pizzas, recheios
eternas pujanças
Quando se amor tem
Tudo encanta

Atualizações

Sim, sim, há muito tempo não venho por aqui. E nesse tempo, muitas coisas aconteceram, claro.

Lembra que eu deixei de vir por estar atribulada com o TCC da universidade? Pois bem. Terminei esse tal TCC, a 200 por hora. Defendi meu tema, terminei o curso.

Pensa que respirei? Talvez, uns suspiros rápidos. Mas, não tive tanto tempo assim para acalmar a mente. Tirei alguns dias para “descansar” no interior, com a família. Consegui dar boas risadas, adquiri umas cicatrizes brincando na rua com as crianças (rs), mas nesse meio tempo tive que me despedi de uma pessoa muito importante: meu avô, que hoje se encontra no céu, com Deus.

Ok. Entre pensamentos desmedidos, voltei para Belém. Participei da minha Formatura, agarrei meu diploma, voltei para o estágio ainda a 200 por hora, para dar conta de tudo, ainda tendo as aulas de Inglês, os trabalhos freelances e a minha vida para cuidar.

Nesse resumão que fiz, cortando ainda muitos outros fatos, finalmente, estou aqui, voltando para o Entrelaces. Voltei, na tentativa de atualizá-lo frequentemente. Ideias não faltam. Será que consigo? É, vamos deixar rolar.

Coração não lê palavras

A voz, tão perto
fraquinha, destemida
assim, no meu ouvido
a respiração bastava
não precisavam palavras

O mundo, bem longe
pensamentos em música
a voz, sem mais a dizer
e os lábios, tão perto
Palavras, para quê?

Música aos meus ouvidos

musica aos meus ouvidos

pequenos pedaços
à mente me passam
segredos, pedaço
sussurros e tato
ao fundo, saudade
o que acalma meus passos
rever você
rever você
rever você

O anjo mais velho

“Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh’alma d’aquilo que outrora eu deixei de acreditar

Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar

Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto… depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só

Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar”

O Teatro Mágico
Composição: Fernando Anitelli

Simples

simples

Por mais complicadas que sejam as linhas de nossa história

teu jeito é tão meigo ao me olhar

Consegues qualquer coisa de mim

basta existir.

1 ano de Entrelaces

1 ano de entrelaces

Nem me recordava, mas dia 12 o Entrelaces fez 1 ano. Como passa rápido esse tempo!

Engraçado que esse blog nasceu, assim, meio que do nada. Tentei concentrá-lo em algum conceito, num determinado caminho, mas o pobre foi sendo levado pela maré. A maré de paixões.

Digo “paixões”, porque o blog é entrelaçado por elas, ainda que sem querer. O próprio nome “Entrelaces” veio da minha simples paixão pelo tal fonema. Laces. Entre. Soa tão bem aos meus ouvidos, adoro!

Mas, fugindo um pouco das paixões bonitas, o Entrelaces também nasceu da reciclagem, ou seja, de umas coisinhas que iam para o lixo e resolvi usar. Primeiro, o conceito, de entrelaçar fatos, histórias e sentidos, veio de um trabalho da faculdade. Precisávamos inventar algum documentário, não lembro ao certo, e daí, no meio da aula, quando a professora cobrou o trabalho, eu não tinha nada em mãos. Peguei um pedaço de papel, comecei a rabiscar e daí surgiu a idéia do Entrelaces. Mas, claro, como documentário. E até então, o nome era no singular, Entrelace. Minha paixão por fazer tudo em cima da hora.

Como o documentário não foi realizado, para não jogar a idéia fora, adaptei-o, então, para um blog. Mais ainda no despropósito, na tentativa de achar um domínio no WordPress, vi que já tinham registrado o nome “Entrelace”. Daí, o que eu fiz? Acrescentei o S. Minha paixão pelo plural.

Mas, o ápice da reciclagem mesmo foi o logotipo: uma amiga me pediu que fizesse um logotipo para a sua marca de vestuário. Depois que já estava tudo pronto, lhe mostrei a proposta, a qual não foi aceita. E advinha o que eu fiz? Pois é, reciclei. Na verdade, simplesmente, mudei o nome da marca para Entrelaces. O símbolo, as cores, a tipografia, tudo foi mantido na maior cara-de pau. Minha paixão pelo não desperdício.

Voltando para as paixões bonitas da história. Começando pela minha paixão de escrever (diga-se de passagem, que gostar de uma coisa não quer dizer que se sabe fazê-la bem, rs). Mas, enfim, paixão de sentidos. Por mais que o blog tenha um conceito (que não é bem seguido), as postagens são todas carregadas de inúmeros significados entrelaçados. Uma mistura de sentidos, ainda que escondidos ou camuflados. Entrelinhas, aliás. Minha paixão.

Entrelinhas de motivos incertos, despropósitos, assim como são as linhas da vida. Um jogo de laços. Infindos sentidos que sempre levam a algum mergulho, em águas claras ou escuras, planejado ou espontâneo.

Paixão é o sentido. Na vida, ou no blog, apaixone-se. Entre e lace.

Página 10

pagina 10

Felicidade está escrita, às vezes, numa página solta, perdida.
Inesperada, nem a procuramos e já encontramos. E agora respiramos a página, como se o livro não fizesse mais nenhum sentido sem ela. Uma história não contada, criptografada.

Caligrafia de belas artes, escrevendo uma história resumidamente feliz. Nas entrelinhas, significados cheios de sentimentos, simplificados nas entrelinhas dos olhares que perpassam escondidos, a página.

Página interminavelmente escrita em dias de vida. Dias difíceis. Dias felizes.

Motivos

motivos

Não sei, mas às vezes, me sobram motivos. Motivos tantos que penso que motivo nos faz correr atrás de tantos motivos. Ora, se formos pensar, não precisamos tanto assim de motivos. Assim, como também não precisamos de uma bolsa nova. Aliás, precisamos. Mas, não morremos sem ela.

Ora. Futilidades. Precisamos sim. Elas nos fazem ser o que desejamos, imaginamos ou sequer pretendemos. Aquela bolsa a mais no armário é necessário sim. Assim, como uma escova de dentes nos faz falta. A diferença é que a escova é funcional, deixa a boca limpa. Enquanto, a bolsa é estética: é para nos deixar lindas. E mais: deixar-nos lindas e de acordo com os nossos ideais, sejam eles, verdadeiros ou não.

Mas, voltando ao assunto do início, os motivos. Precisamos de motivos para acordar cedo, para seguir um caminho, escolher uma profissão. Às vezes, eles não fazem tanto sentido, mas sempre nos colocamos na saga dos motivos.

Não quero estar nessa saga sempre. Não que eu queira deixar a vida me levar, mas precisamos, de vez em quando, simplesmente agir sem um motivo. Expor uma opinião, abraçar um amigo, ajudar um desconhecido.

Assim como – só para frisar mais uma vez e eu espero que minha mãe leia isso – precisamos de uma bolsa nova, claro que sim. E sem motivo.

Conversa de segunda-feira livre

conversa de segunda-feira livre

Imagine um dia livre.

Sem planos, sem relógio, sem destino algum. O que você faria nele? Talvez, dormir um pouco mais, ligar o computador ou a TV sem compromisso, como num domingo ocioso.
Já pensou que tudo o que você faz nesse dia diz muito sobre você próprio? O que você bebe, o que come, o que prefere? Família ou amigos? Os dois? Sozinho? Tênis ou salto alto? Pepsi ou Coca-Cola? Analise suas escolhas, seus atos nesse dia livre. Enfim, o que faria?
Ah, com certeza, eu dormiria mais. Nada nesse mundo é melhor que acordar sem despertador. Um lugar aconchegante pra ler um livro, algumas folhas pra anotar flashes de idéias. Depois ouvir música, à moda “antiga”, sentada no chão, escolhendo os CD’s, lendo os encartes, respirando-os. No fim da noite, um filme interessante, esticada no sofá, com aquele cafuné daquela pessoa. Hummmm…
O que isso poderia dizer sobre mim? Muito e pouco. Não importa. Mas, ah, como eu adoro me descobrir! Ora, você, não?

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